terça-feira, 24 de abril de 2007

Adeus Papai Noel

Nem sempre Papai Noel foi uma lenda. Houve um tempo em que ele existia e todo ano no natal, como sempre foi falado, ele entregava presentes. Mas depois de vários incidentes na cidade de Chamiro, ele resolveu se aposentar e passou a ser realmente uma lenda. E essa história que será contada a seguir:

O natal estava chegando e provavelmente Luis não receberia presente do Papai Noel de novo naquele ano. Ele sempre tinha sido um menino mal. Batia nas crianças e destruia os brinquedos delas. Quebrava as janelas das casas. Matava os passarinhos com seu estilingue, espalhava o lixo pela calçada. Fazia todos os diversos tipos de maldades com os gatos e cachorros dos vizinhos, entre outras coisas. O menino era o cão em pessoa. Mas como a sua mãe era boazinha, se dava muito bem com a vizinhaça e acabava pagando o prejuizo das coisas quebradas, menos dos machucados que quase sempre os meninos tinham por causa dos murros de Luis, os vizinhos sempre davam um desconto. Mas eles não viam a hora que aquele “demoniozinho” saisse dali.

Na verdade Luís não ligava de não receber presentes, porque sempre acabava dando um jeito de conseguir o seu. É claro que roubando das outras crianças. Mas o que o deixava com o raiva, era a felicidade delas, que sempre recebiam um presente do Papai Noel no natal. Ele já estava cansado disso e ia armar um plano pra pegar Papai Noel. Pra fazer com que ele nunca mais pisasse naquela cidade. Este seria o ultimo natal que as que crianças receberiam presentes se dependesse dele.

Era noite de 24 de dezembro. Meia noite Papai Noel estaria chegando para deixar os presentes dos meninos que foram bons esse ano. O relógio batia dez horas da noite. Provavelmente todas as crianças do bairro já estavam dormindo. Os pais de Luís já estavam dormindo também, mas ele estava lá na sala, bem acordado e executando seu plano de espalhar armadilhas pela casa. “Mas peraí! Porque Luís espalharia armadilhas pela sua casa, já que Papai Noel não entraria nela, por ele ser um menino tão mal?” Com certeza é o que vocês devem estar se perguntando, não é? Desculpa. Falha minha em ter esquecido de dizer que ele tinha uma irmã menor, que era muito boazinha e que com certeza merecia ganhar um presente.

Pergunta respondida então voltemos a história.

Quando plantou todas as armadilhas o relógio marcava 11:30 e agora era só esperar o “maldito” chegar pra festa começar. E não esperou muito. Quando deu meia noite, lá estava Papai Noel sobreavoando a cidade no trenó com suas renas. Neste momento Luis estava a espreita na janela da sala e viu a chegada dele. Papai Noel pousou 4 casas antes da sua e começou a entregar os presentes. Luís foi conferir se estava tudo o.k. Poucos minutos depois Papai Noel estaria descendo a chaminé da sua casa. Quando ele ouviu o barulho no teto, foi se esconder atrás da parede que dividia a sala do corredor para as escadas. Papai Noel desceu a chaminé sem ter a minima idéia do que ia acontecer a seguir.

Na hora que Papai Noel desceu a chaminé, ele deu um grito alto e saiu saltitante, por causa da tábua de pregos que Luís tinha colocado dentro da chaminé. Mas ele não ficou pulando por muito tempo, porque logo depois que ele saiu da chaminé, ele levou um baita tombo, graças ao detergente que Luís tinha espalhado no chão sala. Com os pés furados e uma terrivél dor nas costas, Papai Noel seguiu em direção a árvore de natal para deixar o presente de Beatriz, a irmã de Luís. Luís continuava atrás da parede, se segurando para não rir.

Antes de Papai Noel chegar a árvore, ele se sentou no sofá para tirar o sapato que estava cheio de pregos, para dar uma olhada como estava seus pés, para descansar um pouco e pensar em quem estava fazendo aquilo. Depois de alguns minutos pensando, Só ele começou a perceber que o único que poderia estar fazendo aquilo, era aquele menino malvado daquela cidade, que ele sempre estava de olho. Olhou pra um lado, olhou para outro e não viu ninguém. Luís continuava no mesmo canto sem se mexer.

Quando foi se levantar do sofá, ele não conseguia. Estava preso. Ele estava tão aterrorizado com o que estava acontecendo que não tinha percebido que o sofá estava cheio de cola. Tentou com todas suas forças se desprender do sofá, mas mesmo assim não conseguiu e acabou rasgando sua calça. Era a única maneira de se descolar. E finalmente começou a andar em direção a árvore, sem calças e sem sapatos. Não tinha desistido ainda de entregar o presente de Beatriz. Mas como a luz da sala estava apagada e ela estava escura, não se tocou que o chão estava cheio de cacos de vidro. Quando pisou, deu um grito tão grande que acabou acordando o pai de Luís. Tomas acordou assustado. Foi andando cautelosamente até a escada e quando chegou lá perguntou se alguém se encontrava na casa. Não ouvia nenhuma voz em resposta e começou a descer as escadas com a mesma cautela que ele havia chegado nela.

Luís se assustou com a voz do pai e achou que seria o fim. Ele descobriria o que ele estava fazendo com Papai Noel e não tinha a minina idéia de qual o castigo ia levar. Mas não foi o que aconteceu. Assim que Tomas desceu metade da escada, viu seu filho estirado no chão como a mão no joelho. Ele ficou preocupado e perguntou se Luís estava. Luís disse que sim. Que apenas tinha escorregado no chão enquanto tentava chegar na cozinha pra beber água, mas estava tudo bem. Não havia motivos para preocupação. Relaxado, Tomas deu um beijo em Luís e subiu as escadas pra voltar a dormir. Apesar do menino ser traquino, Tomas gostava muito dele.

Luis deu um suspiro de alivio e voltou a prestar atenção na sala. Papai Noel por um instante tinha sumido e um “ah” de insatisfação saiu da sua boca. Mas logo depois viu que ele apenas estava atrás da árvore de natal. Provavelmente havia se escondido por causa de seu pai. Ainda tinha mais uma armadilha que ele achava que Papai Noel ia cair. E foi dito e feito.

Papai noel deixou o presente de Beatriz na árvore e como não tinha como sair pela chaminé por causa dos pregos, resolveu sair pela porta da frente. Quando chegou na porta notou que tinha um tapete na sua frente com os seguintes dizeres: “Adeus Papai Noel”. Papai Noel achou que seria mais uma armadilha e resolveu ligar a luz pra ver direitinho o que tinha naquele tapete. Mas quando acionou o interruptor levou um choque tão grande que fez seus cabelos e suas barbas ficarem em pé.

Aquilo era o fim pra Papai Noel. Ele não aguentava mais. Só queria ir pra embora daquela “maldita” cidade. Mas de fato realmente era o fim, porque as armadilhas tinham acabado e Papai Noel pelo jeito também. Luís ainda estava atrás da parede da sala se segurando pra não rir. Papai Noel mesmo achando que outra armadilha o esperava quando girasse a maçaneta da porta, resolveu tentar usá-la. Até porque uma armadilha mais e uma menos não iria mudar muita coisa. O importante era estar fora daquela casa. Girou a maçaneta e para sua surpresa nenhuma armadilha foi ativada. Finalmente estava fora daquela casa. E em alguns minutos fora daquela cidade que nunca mais pisaria. Talvez até se aposentasse logo e que se “dana-se” as crianças.

Quando Papai Noel deixou a casa, Luís soltou todo o riso que estava guardado acordando novamente seu pai, que perguntou furioso o que “diabos” ele ainda estava fazendo ali no corredor da escada. Luis não respondeu nada e foi correndo para o quarto ainda rindo muito. Tomas resolveu relevar a situação e tentar novamente voltar a dormir.

Depois desse dia o verdadeiro Papai Noel nunca mais entregou presente na sua vida. Tinha fechado a fábrica, mandado os duendes embora e agora passava os dias em casa. Sem se preocupar se seria atormentado por alguma criança no dia de natal. Uma vez bastava pra ele. Um senhor daquela idade não podia se arriscar daquela forma.

Papai Noel nunca arrumou um substituto, mas anos depois acabou ganhando vários, que na verdade eram os pais que não aguentavam mais verem seus filhos tristes porque Papai Noel não mais deixava presentes para eles. Depois pessoas começaram a ser contratadas como Papai Noel para tirarem fotos com as crianças em shoppings e em praças. E assim uma verdade se tornou lenda. Tudo por causa de um simples menino que não gostava de Papai Noel e do Natal.

FIM

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